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07/01/2016

Estudo brasileiro sobre a influência do zika vírus no cérebro humano ganha prêmio nos Estados Unidos

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Trabalho recebeu honraria máxima no maior evento de radiologia do mundo

 

O zika vírus foi um dos assuntos mais importantes no Brasil em 2016. Seja pelo rápido aumento de casos na população brasileira, seja pela ligação do vírus com a microcefalia e outros danos ao cérebro dos bebês, a zika, transmitida pelas fêmeas do mosquito Aedes aegypti, foi motivo de grande atenção dos médicos no mundo inteiro e alvo de muitos estudos, como o do brasileiro Heron Werner, especialista em medicina fetal do Alta Excelência Diagnóstica, que avaliou a influência do vírus no cérebro das crianças ainda no útero. O trabalho foi premiado no maior congresso de radiologia, a RSNA 2016, que aconteceu no último mês, nos Estados Unidos.

 

O estudo, feito em parceria com a equipe de médicos e pesquisadores da Clínica de Diagnóstico por Imagem (CDPI) e do Alta Medicina Diagnóstica e que ganhou dois prêmios na categoria máxima Magna Cum Laude, mostra as alterações sofridas na estrutura cerebral de sete bebês infectados pelo vírus da zika ainda no período intrauterino. As gestantes estavam em estágios diferentes da gravidez e as imagens foram obtidas através de exames de ultrassonografia e ressonância magnética na CDPI. Depois do nascimento, os bebês foram submetidos a exames de ultrassonografia transfontanela, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Para ajudar na comparação dos casos, os pesquisadores ainda reconstruíram os crânios das crianças em modelos físicos (3D).

 

“Os resultados que obtivemos através desses exames de imagem mostram que quatro dos sete bebês da pesquisa nasceram com microcefalia, e detectamos calcificações com distribuição na área do córtex e subcórtex em quatro crianças. Tivemos também três casos de anomalias de migração neural, que acontece quando os neurônios se deslocam de seu local de origem”, explica o Dr. Heron e a Dra. Bianca, que observaram que, em nenhum dos casos, foram visualizados danos no tronco cerebral dos bebês.

 

Muitos casos de microcefalia diagnosticados em 2015 e 2016 estão diretamente ligados à incidência da zika no Brasil. Em um estudo feito no ano passado a pedido do Ministério da Saúde, foi comprovado que o vírus pode ser transmitido da mãe para o feto; no mesmo ano, um estudo publicado na revista New England Journal of Medicine, dos Estados Unidos, relacionou a microcefalia com apenas um de vários tipos de malformação que podem ser causados pelo vírus – incluindo microcalcificações no cérebro e problemas oculares e auditivos. Segundo o médico, o diagnóstico precoce da anomalia é a melhor forma de se preparar para fazer o tratamento adequado logo após o nascimento da criança.